 |
Fauna cretácea de diferentes locais, composta por um Saltasaurus (em cima, à esquerda), dois Nyctosaurus voando pelos ares, um Styracosaurus próximo às árvores (à direita), um Tarbosaurus (no topo, à direita), um Protoceratops com suas crias (ao centro), dois Stegoceras próximos ao riacho (ao centro), um Euoplocephalus (à direita), um Maiasaura cuidando de seus filhotes (embaixo, à esquerda) e a ave Ichthyornis sobre uma rocha no leito do rio (embaixo, à direita). Em primeiro plano, uma planta angiosperma e o mamífero Deltatheridium. Crédito: Christian Jégou / Publiphoto Diffusion / Science Photo Library |
O Cretáceo é o último período da
era Mesozoica, compreendido entre 145 e 66 milhões de anos atrás. Ele sucede o
Jurássico e precede o
período Paleógeno da
era Cenozoica. Divide-se em duas épocas: o
Cretáceo Inferior (subdividido nas idades Berriasiana, Valanginiana, Hauteriviana, Barremiana, Aptiana e Albiana) e o
Cretáceo Superior (subdividido nas idades Cenomaniana, Turoniana, Coniaciana, Santoniana, Campaniana e Maastrichtiana). É curioso notar que o Cretáceo, estendendo-se por setenta e nove milhões de anos, é mais longo do que toda a era atual, a
Cenozoica.
Definido pela primeira vez pelo geólogo belga Jean d'Omalius d'Halloy, em 1822, o nome Cretáceo vem do latim
creta, que significa greda, cré ou giz, rocha sedimentar comum em estratos rochosos da Europa Ocidental que datam desse período. O carbonato de cálcio que compõe o giz foi depositado por escamas de cocolitóforos, algas marinhas unicelulares que prosperaram nos mares cretáceos.
 |
Tabela do tempo geológico em escala, com destaque para o Cretáceo, suas épocas e idades. © Mundo Pré-Histórico |
A tendência de resfriamento do final do
Jurássico continuou durante os primeiros cinco milhões de anos do Cretáceo, na idade Berriasiana, quando os trópicos tornaram-se mais úmidos do que no
Triássico e no
Jurássico. Mas logo as temperaturas subiram novamente e mantiveram-se até o final do período, possivelmente devido a intensas atividades vulcânicas que produziram grandes quantidades de dióxido de carbono. As regiões polares, em vez de gelo, eram cobertas por florestas.
Apesar de a Gonduana ainda estar constituída no início do Cretáceo, ela logo se dividiu:
América do Sul,
Antártida e
Austrália divergiram da
África, formando o
Atlântico Sul e o
Oceano Índico. Dessa forma, a Pangeia completou sua fragmentação e a formação dos continentes atuais, embora suas posições fossem substancialmente diferentes. Conforme o Oceano Atlântico se alargava, a
América do Norte era empurrada para oeste e várias cadeias montanhosas formavam-se em sua margem ocidental.
O crescimento das dorsais oceânicas deslocou a água nas bacias e fez subir o nível dos oceanos, inundando grandes áreas continentais com mares quentes e relativamente rasos. Durante boa parte do Cretáceo, o nível do mar foi o mais alto em toda a história do planeta. Ele estava 100 a 200 m mais alto do que hoje no Cretáceo Inferior e 200 a 250 m mais alto no Cretáceo Superior. Na metade do período, as águas cobriram a região central do continente norte-americano, criando o extenso e raso
Mar Interior Ocidental.
 |
Disposição dos continentes no Cretáceo. © Dr. Ronald Blakey, Universidade do Norte do Arizona (Com modificações) |
Diferenças de temperatura menores entre as partes do globo significaram a formação de ventos mais fracos, os quais, porém, são os responsáveis por impulsionar as correntes oceânicas. Com uma circulação menor das águas, os oceanos passavam por frequentes períodos de baixa oxigenação, revelados hoje pelas formações de folhelho negro. A estagnação das correntes profundas em meados do Cretáceo causou condições anóxicas por aproximadamente trinta milhões de anos, e a matéria orgânica sedimentada deixou de ser decomposta. Com o tempo, ela se transformou em mais da metade das reservas atuais de petróleo, localizadas principalmente nos golfos Pérsico e do México.