24 de julho de 2017

Éon Arqueano

© Peter Sawyer/Instituto Smithsoniano

O éon Arqueano (do grego archaîos, "antigo") está compreendido entre 4 e 2,5 bilhões de anos atrás. Sucede o éon Hadeano e precede o Proterozoico. É subdividido em quatro eras: Eoarqueano (4 a 3,6 Ba), Paleoarqueano (3,6 a 3,2 Ba), Mesoarqueano (3,2 a 2,8 Ba) e Neoarqueano (2,8 a 2,5 Ba). Neste éon, a crosta terrestre havia esfriado o suficiente para formar os primeiros continentes, mas o fluxo interno de calor no planeta ainda era três vezes maior que o atual e as atividades tectônicas eram intensas. À exceção de alguns grãos minerais conhecidos do Hadeano, as formações rochosas expostas mais antigas do planeta são arqueanas.


Tabela do tempo geológico em escala
© Mundo Pré-Histórico

A maior parte das rochas superficiais havia solidificado, e grande parte do vapor de água na atmosfera acabou por condensar-se, formando um oceano global, quente e raso. O interior da Terra, entretanto, ainda estava bastante quente e ativo. Erupções vulcânicas eram muito comuns e formavam um grande número de pequenas ilhas, alinhadas em cadeias. Essas ilhas eram empurradas de sua posição original como resultado dos movimentos que ocorriam no manto e ocasionalmente colidiam entre si, formando ilhas cada vez maiores.
Os vulcões emitiam grande quantidade de vapor de água e dióxido de carbono (CO₂), que acumulavam-se na atmosfera. As águas oceânicas eram mais ácidas, devido à presença maior de gás carbônico dissolvido. Embora o brilho do Sol fosse 25% mais fraco do que hoje, a temperatura média do planeta aparenta ter sido próxima da atual, por causa da maior concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Esta ainda era extremamente pobre em oxigênio, situação que só mudou no final do éon.


© Andrey Atuchin


Vida


Bactérias estão entre as primeiras formas de vida do planeta.
© Dreamstime

Os processos que deram origem à vida na Terra ainda não são completamente compreendidos, mas há evidência substancial de que ela surgiu bastante cedo no Arqueano. Os fósseis mais antigos datam de 3,5 bilhões de anos atrás e consistem em microfósseis de bactérias. Durante o Arqueano, as formas de vida foram limitadas a simples organismos unicelulares não nucleados (não apresentam material genético delimitado por uma membrana), chamados procariontes. Estes incluem bactérias (domínio Bacteria) e arqueas (domínio Archaea).
Algumas arqueas se adaptaram a condições extremas, como fontes hidrotermais com altas temperaturas ou ambientes ricos em ácido sulfídrico (HS). Os procariontes espalharam-se pelo planeta, formando "tapetes" de bactérias colaboradoras que realizavam diferentes processos bioquímicos. Alguns desenvolveram estruturas moleculares que permitiam realizar fotossíntese. Esse processo utiliza energia luminosa para transformar água e dióxido de carbono em alimento para a célula, mas também libera como subprodutos água e gás oxigênio (O).
Cianobactérias (bactérias fotossintetizantes) formaram colônias abundantes, que com o tempo acumulavam camadas de carbonatos e formavam rochas, chamadas estromatólitos, alguns dos quais preservados até hoje em lugares como Austrália, Zimbábue, Canadá e África do Sul. Gradativamente, as cianobactérias assimilavam o dióxido de carbono da atmosfera, depositando-o no fundo do oceano na forma de calcário e liberando oxigênio livre. No final do Arqueano, com mais oxigênio disponível, devem ter aparecido os primeiros organismos eucariontes, com células mais complexas que possuem seu material genético envolto por uma membrana e vários tipos de estruturas internas.


Estromatólitos modernos podem ser vistos na baía Shark, na Austrália Ocidental, Austrália. Essas estruturas rochosas são resultado de milhões de anos de deposição de carbonatos e sedimentos por micro-organismos, principalmente cianobactérias.
© Robert Paul Young/Creative Commons
As cianobactérias tiveram grande importância ecológica: acredita-se que foram elas que encheram a atmosfera de oxigênio.
© Matthew J. Parker


Fontes: UFRR - LAPA, UERJ, DNPM-PE, Wikipedia (versão em inglês), Encyclopaedia Britannica e New World Encyclopedia.

4 comentários:

  1. olá gosto muito do blog, poderiam postar sobre A GRANDE EXTINÇÃO , aquela do permiano\triássico, e também sobre os períodos da megafauna.abraços.

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    1. Olá, Richard! Obrigado por acompanhar o blog. Na postagem "Período Permiano" você vai encontrar um pouco sobre a extinção do Permiano-Triássico e, mais à frente, irei escrever, sim, sobre os períodos em que viveu a megafauna.
      Até lá! Abraços.

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  2. pode me explicar por na evolução o celacanto no se modificou desde a era mesozoica?

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    1. Os celacantos têm praticamente a mesma aparência há 400 milhões de anos, desde muito antes dos dinossauros, quando os vertebrados estavam começando a conquistar o ambiente terrestre. Embora todos sejam conhecidos popularmente como celacantos, existem diferentes espécies, gêneros e famílias desses peixes com aparência primitiva. Ou seja, eles evoluíram, sim, e se modificaram.
      Hoje existem apenas 2 espécies, que vivem a algumas centenas de metros de profundidade no Oceano Índico, um ambiente específico e que permanece estável, o que não exige grandes mudanças para adaptação. Ainda assim, eles continuam a evoluir, mesmo que lentamente. Estudos recentes fizeram uma descoberta curiosa: os genes do celacanto têm evoluído mais lentamente do que em qualquer outra espécie de vertebrado.

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