10 de maio de 2020

Dinossauros do Brasil

    O Brasil já conta com mais de trinta espécies de dinossauros reconhecidas que viveram em seu território, a grande maioria delas, infelizmente, pouco conhecida pelo público geral. Esse número, entretanto, pode ser até pequeno se comparado à quantidade de descobertas feitas em outros países, como os Estados Unidos, o Reino Unido, mais recentemente a China e até nossa vizinha Argentina. Ao longo dos anos, o empenho dos paleontólogos brasileiros e ações de popularização contribuíram para fomentar as pesquisas e, assim, a paleontologia brasileira vem crescendo cada vez mais, embora ainda faltem profissionais e recursos. Descobertas feitas em terras brasileiras mostram que o País tem diversas espécies distintas e de grande valor para a ciência, chamando a atenção de pesquisadores de todo o mundo.

O titanossauro Maxakalisaurus topai é atacado por um grupo de abelissaurídeos Pycnonemosaurus nevesi, na região central do Brasil, mais de 80 milhões de anos atrás.
© Maurilio Oliveira

  Os cientistas acreditam que o Brasil tenha abrigado uma grande variedade de dinossauros. Os que são conhecidos até agora viveram nos períodos Triássico ou Cretáceo. O nosso Jurássico ainda é uma incógnita: possivelmente, durante esse período, o território brasileiro foi soerguido por uma pluma de calor do manto do planeta, expondo as rochas à erosão e dificultando a formação de fósseis.
    Durante a maior parte da era Mesozoica, nosso país esteve em condições de extrema aridez, e a oferta de alimentos era mais escassa. Por isso, muitos dos dinossauros que viveram por aqui são considerados pequenos. Mas isso não significa que o Brasil não era lar de alguns gigantes, até pela proximidade com a Argentina, onde foram encontrados os maiores dinossauros do mundo. Outro fato interessante é que, como os continentes estavam unidos, os exemplares brasileiros e africanos guardam muitas semelhanças entre si e fazem parte das mesmas linhagens.
    Quando os continentes se dividiram, o litoral tornou-se mais úmido e desenvolveu mais vegetação, aumentando a diversidade de espécies. Na região de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, as florestas de coníferas e samambaias serviam de alimento para diversas espécies de titanossauros, grandes herbívoros de pescoço e cauda compridos. Os titanossauros tiveram bastante êxito durante o Cretáceo e os maiores deles viveram na América do Sul.
   Os primeiros fósseis foram encontrados por aqui no ano de 1897: eram pegadas fossilizadas, localizadas no município de Sousa, na Paraíba. Na década de 1940, Uberaba (Minas Gerais) e o oeste paulista revelaram-se regiões importantes para a paleontologia. Já foram encontrados ossos, dentes, ovos, penas, pegadas e até excrementos de dinossauros no Brasil. Fósseis do Rio Grande do Sul apontam que os dinossauros mais antigos do mundo viveram nessa região, o que contribui para melhor compreender a evolução dos primeiros dinossauros.

Pegadas fossilizadas no Vale dos Dinossauros, em Sousa, na Paraíba.
Foto: Cacio Murilo

    A seguir, você verá uma lista com todas as espécies de dinossauros brasileiros conhecidas até agora, em ordem de publicação das descobertas. Vale a pena conhecê-los! Essa lista será atualizada constantemente, acompanhando as descobertas mais recentes feitas no País.

13 de abril de 2020

Mirísquia, o dinossauro de belos quadris

Mirísquia dorme durante o dia em um ninho de samambaias, ao lado de uma planta magnoliídea da espécie Araripia florifera.
Crédito: Alexander Lovegrove, 2015

O mirísquia ("quadril maravilhoso", do latim mir, "maravilhoso", e do grego ischia, "pelve") é um pequeno dinossauro terópode que viveu no Brasil há cerca de 110 milhões de anos, na idade Albiana do Cretáceo Inferior. Este pequeno predador bípede media 2,1 m de comprimento, 50 cm de altura e pesava 7 kg. De estrutura delgada, era ágil e adaptado para caçar animais pequenos, como lagartos, mamíferos primitivos, dinossauros menores e qualquer outra coisa que pudesse capturar.

22 de março de 2020

Águia-de-haast, a maior águia que já existiu

Os maoris contam histórias de uma ave monstruosa conhecida como Pouakai, que era capaz de matar e devorar homens. Lendas à parte, os maoris realmente tiveram contato e caçaram águias-de-haast.
Crédito: Colin Edgerly

A águia-de-haast (Hieraaetus moorei) é uma espécie extinta de águia que viveu na Ilha Sul da Nova Zelândia, do final do Pleistoceno ao Holoceno. Surgiu entre 1,8 milhão e 700 mil anos atrás e desapareceu há aproximadamente 600 anos, apenas. É a maior águia conhecida que já existiu, atingindo 1,4 m de comprimento nas fêmeas e uma altura de aproximadamente 90 cm.

10 de fevereiro de 2020

Mastodonsauro, o anfíbio com dentes transpassantes

Mastodonsaurus giganteus
Crédito: Vladislav Egorov, 2017

O mastodonsauro ("lagarto com dentes em forma de seios") é um anfíbio temnospôndilo do Triássico Médio e Superior, que viveu entre 247 e 201 milhões de anos atrás, na Europa. Pertence ao grupo dos capitossauros, caracterizados por seu grande tamanho e estilo de vida provavelmente aquático. Os maiores indivíduos atingiam 4 a 6 m de comprimento, dos quais quase um quarto corresponde à cabeça.

20 de janeiro de 2020

Período Cretáceo

Fauna cretácea de diferentes locais, composta por um Saltasaurus (em cima, à esquerda), dois Nyctosaurus voando pelos ares, um Styracosaurus próximo às árvores (à direita), um Tarbosaurus (no topo, à direita), um Protoceratops com suas crias (ao centro), dois Stegoceras próximos ao riacho (ao centro), um Euoplocephalus (à direita), um Maiasaura cuidando de seus filhotes (embaixo, à esquerda) e a ave Ichthyornis sobre uma rocha no leito do rio (embaixo, à direita). Em primeiro plano, uma planta angiosperma e o mamífero Deltatheridium.
Crédito: Christian Jégou Publiphoto Diffusion / Science Photo Library

O Cretáceo é o último período da era Mesozoica, compreendido entre 145 e 66 milhões de anos atrás. Ele sucede o Jurássico e precede o período Paleógeno da era Cenozoica. Divide-se em duas épocas: o Cretáceo Inferior (subdividido nas idades Berriasiana, Valanginiana, Hauteriviana, Barremiana, Aptiana e Albiana) e o Cretáceo Superior (subdividido nas idades Cenomaniana, Turoniana, Coniaciana, Santoniana, Campaniana e Maastrichtiana). É curioso notar que o Cretáceo, estendendo-se por setenta e nove milhões de anos, é mais longo do que toda a era atual.
Definido pela primeira vez pelo geólogo belga Jean d'Omalius d'Halloy, em 1822, o nome Cretáceo vem do latim creta, que significa greda, cré ou giz, rocha sedimentar comum em estratos rochosos da Europa Ocidental que datam desse período. O carbonato de cálcio que compõe o giz foi depositado por escamas de cocolitóforos, algas marinhas unicelulares que prosperaram nos mares cretáceos.

Tabela do tempo geológico em escala, com destaque para o Cretáceo, suas épocas e idades.
© Mundo Pré-Histórico

A tendência de resfriamento do final do Jurássico continuou durante os primeiros cinco milhões de anos do Cretáceo, na idade Berriasiana, quando os trópicos tornaram-se mais úmidos do que no Triássico e no Jurássico. Mas logo as temperaturas subiram novamente e mantiveram-se até o final do período, possivelmente devido a intensas atividades vulcânicas que produziram grandes quantidades de dióxido de carbono. As regiões polares, em vez de gelo, eram cobertas por florestas.
Apesar de a Gonduana ainda estar constituída no início do Cretáceo, ela logo se dividiu: América do Sul, Antártica e Austrália divergiram da África, formando o Atlântico Sul e o Oceano Índico. Dessa forma, a Pangeia completou sua fragmentação e a formação dos continentes atuais, embora suas posições fossem substancialmente diferentes. Conforme o Oceano Atlântico se alargava, a América do Norte era empurrada para oeste e várias cadeias montanhosas formavam-se em sua margem ocidental.
O crescimento das dorsais oceânicas deslocou a água nas bacias e fez subir o nível dos oceanos, inundando grandes áreas continentais com mares quentes e relativamente rasos. Durante boa parte do Cretáceo, o nível do mar foi o mais alto em toda a história do planeta. Ele estava 100 a 200 m mais alto do que hoje no Cretáceo Inferior e 200 a 250 m mais alto no Cretáceo Superior. Na metade do período, as águas cobriram a região central do continente norte-americano, criando o extenso e raso Mar Interior Ocidental.

Disposição dos continentes no Cretáceo.
© Dr. Ronald Blakey, Universidade do Norte do Arizona
(Com modificações)

Diferenças de temperatura menores entre as partes do globo significaram a formação de ventos mais fracos, os quais, porém, são os responsáveis por impulsionar as correntes oceânicas. Com uma circulação menor das águas, os oceanos passavam por frequentes períodos de baixa oxigenação, revelados hoje pelas formações de folhelho negro. A estagnação das correntes profundas em meados do Cretáceo causou condições anóxicas por aproximadamente trinta milhões de anos, e a matéria orgânica sedimentada deixou de ser decomposta. Com o tempo, ela se transformou em mais da metade das reservas atuais de petróleo, localizadas principalmente nos golfos Pérsico e do México.

11 de dezembro de 2019

Calicotério, a mistura de cavalo com preguiça-gigante

Crédito: Julio Lacerda

O calicotério ("besta do seixo", do grego khalik, "seixo", e thērion, "besta") é um mamífero perissodáctilo extinto que viveu na Europa, Ásia e África, entre 15 e 7 milhões de anos atrás, na época Miocena. Lembrando uma mistura de cavalo com preguiça-gigante, pesava cerca de 1,5 tonelada e media até 2,6 m de altura nos ombros.

4 de agosto de 2019

Mutaburrassauro, o dinossauro narigudo

Crédito: Alamy Stock Photo

O mutaburrassauro ("lagarto de Muttaburra") é um dinossauro ornitópode de cerca de 7 m de comprimento e 3 toneladas. Viveu no nordeste da Austrália entre 112 e 99,6 milhões de anos atrás, no início do período Cretáceo, e deve ter convivido com dinossauros como Atlascopcosaurus, Austrosaurus, Diamantinasaurus e Wintonotitan.