25 de julho de 2016

Período Carbonífero


O Carbonífero, ou Carbônico, é o período do tempo geológico compreendido entre cerca de 359 e 299 milhões de anos atrás. Dentro da era Paleozoica, sucede o período Devoniano e precede o Permiano. É subdividido em duas épocas: Mississippiano e Pensilvaniano, de acordo com os estratos rochosos encontrados na América do Norte.

Tabela do tempo geológico em escala
© Mundo Pré-Histórico

No início do Carbonífero, um aumento no nível dos oceanos alagou muitas terras baixas, criando mares litorâneos rasos. Porém, esse efeito se reverteu em meados do período, há cerca de 323 milhões de anos. A mudança no nível do mar causou considerável extinção da fauna marinha, principalmente entre crinoides (lírios-do-mar) e amonites. Gondwana, o supercontinente do hemisfério Sul, passou a sofrer uma forte glaciação, coberto por uma espessa camada de gelo, enquanto as regiões equatoriais mantinham-se com um clima quente e úmido o suficiente para o desenvolvimento de pântanos e florestas exuberantes. Ao longo do período, as massas de terra de todo o planeta se uniam para formar Pangeia, o continente único que resistiu até a era seguinte. Montanhas erguiam-se conforme os continentes colidiam.

Disposição dos continentes no Carbonífero
© Dr. Ronald Blakey, Universidade do Norte do Arizona
(Com modificações)


Monstros gigantes


A enorme libélula Meganeura captura um Hylonomus
© 2007 Robert Back

Os mares eram povoados por peixes ósseos e uma variedade de tubarões. Crinoides, braquiópodes, briozoários, amonites, gastrópodes, bivalves e recifes de coral também continuavam abundantes. Em terra, a vida já estava bem estabelecida. Artrópodes diversificaram-se rapidamente (libélulas, milípedes, aracnídeos), vários deles atingindo proporções gigantescas. Isso era possível por causa da quantidade maior de oxigênio na atmosfera (35%, contra 21% nos dias de hoje).
Os primeiros répteis surgiram há 340 milhões de anos. Porém, os vertebrados terrestres dominantes eram os anfíbios, que haviam surgido no Devoniano, a partir dos peixes pulmonados. Eles estavam no topo da cadeia alimentar e predavam insetos e peixes; alguns mediam vários metros de comprimento. Embora já possuíssem patas e conseguissem respirar ar, ainda dependiam do meio aquático para se reproduzir.

O anfíbio Metoposaurus media até 3 m
© Nobu Tamura
Os mares eram ricos em lírios-do-mar, braquiópodes e equinodermos.
© Phil Degginger/Carnegie Museum

Florestas exóticas


A "árvore com escamas" (gênero Lepidodendron) chegava a 40 m.
© Christian Jegou Publiphoto Diffusion/Science Photo Library

Vastas porções de florestas cobriam terreno, com árvores de até 40 m de altura. Predominavam as pteridófitas (plantas que não se reproduzem por sementes, mas por esporos). Havia licófitas, esfenófitas, fetos arbóreos e samambaias. No final do Carbonífero, surgiram as primeiras plantas com sementes, como as pteridospermas (samambaias com sementes), coníferas (que produzem cones, a exemplo dos pinheiros), as ginkgófitas (família do ginkgo) e as cicadófitas (muito apreciadas para ornamentação, atualmente).

Lepidodendron, Sigillaria, fetos arbóreos e samambaias eram muito comuns no Carbonífero.
© Sergey Krasovskiy

Quando o clima se tornou mais frio e seco, no entanto, as florestas tropicais se fragmentaram e ficaram restritas a apenas algumas regiões. Sua diversidade também diminuiu, resultando em uma paisagem dominada por fetos e plantas mais baixas. A decomposição da abundante matéria vegetal, ao longo do tempo, deu origem aos depósitos de carvão mineral que hoje são extraídos pela indústria. O nome "Carbonífero", inclusive, deve-se às grandes quantidades de carvão encontradas em rochas da Inglaterra que datam dessa época.
O colapso das florestas tropicais atingiu principalmente os anfíbios, restritos aos ambientes úmidos. Enquanto isso, os répteis desenvolviam importantes adaptações para sobreviver em condições mais áridas: pele coberta de escamas, que protegia contra a desidratação, e o ovo amniótico, dotado de uma casca protetora rija e reservas alimentares que nutriam o embrião até o seu nascimento. Esta foi a maior inovação evolutiva do Carbonífero, que, perto de terminar, já contava com vários grupos de animais amniotas, entre eles, répteis e sinápsidas (ancestrais distantes dos mamíferos).


Hylonomus é o réptil mais antigo já descoberto.
© H
åkon Lystad
O cheiro de um Eogyrinus morto atrai vários invertebrados de uma floresta escura: entre eles, a centopeia gigante Arthropleura, a libélula gigante Meganeura e o escorpião gigante Hibbertopterus. Eis, então, que entra em cena o sinápsida Ophiacodon, para encerrar a briga.
© 2008 Robert Nicholls / Kingfisher Publishing

Fontes: UNESP, LAPA - UFRR e Wikipedia (versão em inglês).

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