16 de março de 2011

Amonites (Ammonoidea)

© Todd S. Marshall

Atualizado em maio de 2014

Os amonites (subclasse Ammonoidea, por isso também chamados de amonoides) são moluscos cefalópodes que surgiram no período Devoniano, há 409 milhões de anos, e foram extintos junto com os dinossauros, no fim do Cretáceo, 66 milhões de anos atrás. Durante a era Mesozoica, os amonites se diversificaram em uma variedade de formas e eram abundantes em todos os mares.

Jovem e adulto Dolichorhynchops caçam amonites no Mar Interior Ocidental, América do Norte.
© James Kuether

Viviam no interior de uma forte concha em espiral, de natureza carbonatada, semelhante à do atual náutilo. Suas dimensões eram muito variáveis: até meados do Jurássico, os amonites alcançavam apenas alguns centímetros; a partir de então, apareceram formas maiores, de até dois metros de diâmetro (embora raros). Conchas de amonites são fósseis comuns em formações marinhas do Mesozoico, mas pouco se sabe sobre o seu modo de vida, uma vez que o corpo mole é muito raramente preservado. Há evidências de dimorfismo sexual (diferenças de características entre os sexos), sendo as conchas dos machos, em geral, menores e mais ornamentadas que as das fêmeas.
Provavelmente viveram em mar aberto, em águas quentes e pouco profundas. Moviam-se por propulsão a jato, ou seja, expulsavam água do corpo em uma direção para se dirigir à direção oposta. Tentáculos rodeavam suas mandíbulas em forma de bico, com as quais agarravam pequenos organismos para se alimentar, como, por exemplo, pequenos peixes e crustáceos.
O nome amonite, do qual o nome científico Ammonoidea é derivado, surgiu no Egito Antigo, quando os egípcios associavam as conchas que encontravam ao deus Amon, muitas vezes retratado com cabeça e chifres de carneiro.

Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Cephalopoda
Subclasse: † Ammonoidea

Fóssil de Echioceras encontrado em Charmouth, Inglaterra, em 2003.
Asteroceras, amonite jurássico da Inglaterra. Na verdade, as belas listras sinuosas que vemos na imagem encontravam-se logo abaixo da camada mais externa da concha, que se desgastou com a fossilização, e não eram visíveis em vida.

Como funcionava a concha dos amonites


Seção transversal de um amonite.
© Mundo Pré-Histórico

Os amonites viviam em conchas subdivididas em câmaras, sendo que o corpo ficava alojado na última delas, próximo à abertura. A câmara mais interna era também a mais antiga. Quando o animal crescia e precisava de mais espaço, ele construía uma cavidade maior à frente da abertura, para onde se mudava, e isolava uma nova câmara. Esse processo se repetia à medida que o amonite crescia.
As câmaras deixadas para trás serviam como tanques flutuadores. Um delicado tubo (o sifúnculo) corria através delas e permitia regular a quantidade de gás ou líquido dentro da concha, para ajustar sua posição na água como em um submarino. Bombeando ar e enchendo as câmaras com gás, o amonite se tornava leve o suficiente para flutuar bem acima do substrato marinho.

© RGBStock

Conchas diversas


© James Kuether

A maioria dos amonites possuía conchas com a espiral em um único plano, achatadas dos lados e perfeitamente encaracoladas. São os amonites homomorfos ("formas iguais"). Mas havia conchas parcialmente enroladas, em forma helicoidal ou, ainda, simplesmente retas. Esses amonites, que começaram a se diversificar principalmente no início do Cretáceo, são conhecidos como heteromorfos ("formas diferentes").
No Cretáceo também surgiram conchas ornamentadas de vários tipos. Algumas eram lisas, exibindo apenas linhas de crescimento. Em outras, porém, viam-se vários padrões de sulcos, costelas e espinhos.

Um dos amonites mais bizarros é o Nipponites, encontrado em rochas do Cretáceo no Japão e nos EUA. Sua concha formava um emaranhado de curvas em U.
(Autor desconhecido)
O amonite Australiceras, do Jurássico da Rússia, tinha uma concha frouxamente enrolada.
O Turrilites, com sua concha helicoidal, viveu durante o Cretáceo.
Crédito: Blume

Fontes: Wikipedia (versão em inglês), Enciclopédia dos dinossauros e da vida pré-históricaFundação Paleontológica PhoenixNational Geographic e How long did ammonites live?.

19 comentários:

  1. Muito bom o seu Blog, mais por exemplo se eu encontrar um fóssil de Amonite eu posso ficar com ele?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não. No Brasil, qualquer descoberta de fóssil deve ser comunicada a alguma instituição científica, como um museu ou universidade, para que o achado seja estudado e colocado em exibição. Coletas não autorizadas e o comércio de fósseis brasileiros são considerados crimes.

      Excluir
  2. Quandos anos que os amonites vivem?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Analisando a composição química dos fósseis, os cientistas estimam que algumas espécies de amonite viviam por mais de 30 anos!

      Excluir
  3. Fatima17/5/17

    Qual e o tipo de reproduçao das amonites

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Reprodução sexuada. Assim como o náutilo nos dias atuais, os amonites deviam migrar para águas mais rasas e quentes para se reproduzir. O macho segurava a fêmea com seus tentáculos e a fecundava com um braço especialmente modificado. A fêmea, então, produzia uma cápsula com ovos e a afixava em alguma pedra ou coral. Quando os filhotes nasciam, eles se alimentavam de plâncton até que crescessem.

      Excluir
  4. Anônimo11/11/17

    Parabéns! Tive de fazer um trabalho para a escola sobre as amonites e fiquei totalmente esclarecida com esta publicação.

    ResponderExcluir
  5. No Brasil tem amonites?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, eles viveram em todo o mundo e várias espécies já foram encontradas no Brasil.

      Excluir
  6. Anônimo5/5/19

    Como é que as amonites dasapareceram

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Segundo uma pesquisa publicada em 2011 na revista Science, os amonites podem ter se extinguido quando sua principal fonte de alimento, o plâncton, entrou em decadência no final do Cretáceo, devido aos mesmos cataclismos que eliminaram os dinossauros e outros seres vivos.

      Excluir
  7. Você disse que não pode ser comercializado, mas eu comprei um na Bahia kkk e como que eu faço pra saber se é real?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, a própria Constituição Federal afirma que fósseis são patrimônio cultural brasileiro e, portanto, pertencem à União, cabendo ao poder público protegê-lo.
      Acho que só um especialista para identificar se a peça é verdadeira, mas, se for, tanto quem vendeu quanto quem comprou cometeu crime. Porém, como sabemos, várias coisas no Brasil não funcionam como deveriam e a fiscalização muitas vezes não acontece, infelizmente.

      Excluir
  8. Anônimo25/2/20

    Quantos milhões de anos viveram as amonites desde que apareceram até que desapareceram?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. 409 milhões - 66 milhões = 343 milhões de anos

      Excluir
  9. Pela quantidade de câmaras no amonite dá pra saber sua idade?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, porém mais precisamente pelos padrões de formação dos anéis de crescimento da concha. Em um mês, duas câmaras podiam ser formadas, mas isso depende da espécie e poucas delas possuem anéis de crescimento distintos. O amonite Popanoceras do Permiano, por exemplo, levava 4 a 5 anos para terminar de construir sua concha, mas provavelmente ele viveu mais do que isso.

      Excluir
  10. como o fossil foi formado?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leia essa postagem para descobrir:
      https://mundopre-historico.blogspot.com/2015/05/fosseis.html

      Excluir

Todos os comentários passam por aprovação do autor.
Comentários incoerentes ou ofensivos não serão publicados, mas críticas e sugestões são bem-vindas.