29 de março de 2016

Como os mamíferos não se extinguiram junto com os dinossauros?

Mamíferos primitivos sobre um esqueleto de Triceratops, um dos últimos dinossauros
© Mark Hallett

Os mamíferos surgiram há cerca de 160 milhões de anos, no início do período Jurássico, quando os dinossauros começavam sua grande diversificação. Porém, durante a era dos dinossauros, estes pequenos animais peludos, que não passavam do tamanho de ratos, eram relegados à clandestinidade do ecossistema.
Não bastasse terem sobrevivido à ameça dos lagartos gigantes, eles ainda tiveram que enfrentar uma das maiores catástrofes da história da Terra, há 66 milhões de anos. É curioso como conseguiram resistir a esse evento, enquanto milhares de espécies, incluindo os imbatíveis dinossauros, simplesmente eram exterminados da face do planeta.

O monotremado Steropodon galmani, que viveu no Cretáceo. Monotremados são mamíferos primitivos que põem ovos e cujos únicos representantes vivos são o ornitorrinco e a equidna.
© Anne Musser

Essa é uma pergunta que não pode ser respondida definitivamente, até porque ainda nem sabemos ao certo o que matou os dinossauros. Considerando a hipótese do grande asteroide, talvez tenha sido justamente o porte pequeno que fez com que os mamíferos não tivessem o mesmo fim. As dimensões reduzidas podem tê-los ajudado a encontrar abrigo em ambientes seguros, por exemplo. Acredita-se que os primeiros monotremados, marsupiais e placentários eram animais semiaquáticos ou que viviam em tocas (de fato, muitas linhagens de mamíferos apresentam tais hábitos nos dias de hoje), e esse comportamento pode ter oferecido uma proteção maior contra os desastres naturais.

Cronopio dentiacutus, em sua toca, passam despercebidos pelo dinossauro ao fundo, no final do Cretáceo.
© Jorge Antonio Gonzalez

Alguns cientistas ainda afirmam que os dinossauros já se encontravam em decadência 2 milhões de anos antes de sua extinção definitiva. Muitas linhagens eram raras e outras não mais existiam - é o caso dos saurópodes e dos estegossauros. A queda do asteroide teria apenas adiantado o fim de um grupo já ameaçado, que desapareceria mais cedo ou mais tarde. Nesse caso, não seria exatamente um milagre os mamíferos terem sobrevivido.
Outra teoria sobre a extinção em massa do final do Cretáceo é a de que certos movimentos sofridos pelos continentes provocaram mudanças nas correntes marítimas e também no clima do planeta. Isso fez a temperatura baixar, o que causou invernos mais rigorosos e, consequentemente, o desaparecimento de muitos seres vivos. Diante disso, a capacidade de controlar a temperatura interna do corpo explicaria como os mamíferos conseguiram cruzar os limites do Mesozoico. Características como a pele coberta por pelos e a presença de glândulas sebáceas e sudoríparas ajudam a regular a temperatura, tornando possível o desenvolvimento de mecanismos fisiológicos mais complexos e eficientes.

O primeiro marsupial conhecido, Sinodelphys szalayi, surgiu no início do Cretáceo. Marsupiais são os mamíferos que carregam seus filhotes, logo que nascem, em uma bolsa ventral, onde são amamentados até se desenvolverem completamente (como o canguru, o coala e o gambá).
© 2006 H. Kyoht Luterman

Com os dinossauros fora de circulação, os mamíferos tiveram a oportunidade de progredir e evoluir. É importante ressaltar que estes não escaparam ilesos da extinção, mas sofreram perdas igualmente. Muitas espécies foram extintas e outras nunca recuperaram a população que tinham antes do cataclismo. Essa seria a razão pela qual marsupiais não são mais abundantes como outrora - seu habitat, atualmente, está restrito à Austrália e à América do Sul. Os mamíferos estiveram à beira de seguir o mesmo caminho dos dinossauros, e, se isso tivesse acontecido, nós também não estaríamos aqui. Felizmente, somos seres inteligentes e com uma surpreendente capacidade de se adaptar.


- Esta postagem foi uma sugestão dos leitores Arnaldo e Priscylla.

Fontes: Só BiologiaWikipedia (versão em inglês), UOL Notícias e Mundo dos Animais.

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