23 maio 2010

Argentavis, a maior ave voadora de todos os tempos

O Argentavis devia se alimentar de carniça e, inclusive, poderia ter comportamento de cleptoparasita, ou seja, que rouba as presas de outros predadores, como deste desafortunado tilacosmilo.
Crédito: (autor desconhecido)

Atualizado em fevereiro de 2026

    Argentavis é um gênero extinto de ave teratornitídea que está entre as maiores aves voadoras que já existiram. Viveu nos Pampas da Argentina no final da época Miocena, entre 9 e 6,8 milhões de anos atrás. Seu nome vem do latim argentum ("prata") e avis ("ave"), significando, portanto, "ave da prata" ou, por extensão, "ave argentina", em alusão ao país onde foi descoberta. Media entre 5,1 e 7,5 m de envergadura e pesava até 72 kg.

© Mundo Pré-Histórico

    Embora tenha sido desbancado pela descoberta do Pelagornis sandersi, que o superava em envergadura das asas, o Argentavis ainda é, por uma margem considerável, a ave voadora mais pesada de que se tem notícia. Parente dos urubus e condores atuais (família Cathartidae), o Argentavis é membro da família Teratornithidae, um grupo de grandes aves de rapina que habitaram as Américas do final do Oligoceno ao final do Pleistoceno. Comparações com aves modernas sugerem que as fêmeas da espécie punham de um a dois ovos a cada dois anos, cada um com massa de cerca de 1 kg. O casal devia incubá-los durante o inverno, se revezando entre as tarefas de chocar e procurar comida. Acredita-se que os jovens se tornavam independentes após 16 meses, mas não atingiam a plena maturidade até os 12 anos, aproximadamente.
    O tamanho e estrutura de suas asas implicam que o Argentavis voava principalmente por planação, utilizando o voo batido apenas por curtos períodos. Isso é corroborado por evidências esqueléticas, que sugerem que seus músculos peitorais não eram poderosos o bastante para bater as asas durante muito tempo. Apesar de suas pernas serem fortes o suficiente para lhe proporcionar uma corrida ou salto inicial, as asas eram simplesmente longas demais para bater efetivamente até que a ave ganhasse alguma distância vertical, o que significa que, especialmente para a decolagem, o Argentavis teria dependido do vento. Ele pode ter se aproveitado de sopés de montanhas e ventos frontais para isso e provavelmente conseguia fazê-lo mesmo em terrenos com declives suaves, com pouco esforço. O clima nas encostas andinas na Argentina do final do Mioceno era mais quente e seco do que hoje, o que teria ajudado ainda mais a ave a se manter no ar utilizando as correntes térmicas ascendentes. Estima-se que a velocidade mínima que atingia nessas condições era de cerca de 40 km/h.
    Portanto, o Argentavis devia voar e se comportar de maneira muito semelhante ao condor-dos-andes moderno (Vultur gryphus), vasculhando grandes áreas em busca de alimento - seus territórios provavelmente cobriam mais de 500 km². No entanto, parece menos aerodinamicamente adaptado para a predação do que seus parentes e, por isso, devia preferir se alimentar de carniça. O Argentavis pode ter se utilizado de seu tamanho e suas asas gigantes para intimidar mamíferos metatérios (como o tilacosmilo) e pequenos forusracídeos para se apoderar de suas presas. Os forusracídeos eram os maiores predadores terrestres da América do Sul na época e, provavelmente, as maiores ameaças que o Argentavis tinha que enfrentar, sendo o Devincenzia a maior espécie a coexistir com ele. Ainda assim, devido ao seu porte, dificilmente devia sofrer algum tipo de predação, estando a mortalidade em indivíduos adultos relacionada principalmente com idade avançada e doenças.
    Os primeiros restos de Argentavis foram encontrados durante uma expedição do Museu de La Plata nas Salinas Grandes de Hidalgo, na província de La Pampa, Argentina, por Rosendo Pascual e Eduardo Tonni. O material consistia em um esqueleto incompleto com partes do crânio, pernas e asas, que foi descrito em 1980, por Tonni e Kenneth Campbell Jr., como a nova espécie Argentavis magnificens - o epíteto específico significa "magnífico" em latim. Após a realização de uma inspeção em coleções de museus argentinos, três novos espécimes foram identificados por Campbell em 1995, embora apenas dois deles continuem sendo considerados de Argentavisum tibiotarso (osso da perna) e um coracoide esquerdo (osso da cintura escapular), coletados em 1939 e 1983, respectivamente, na Formação Andalhualá, no noroeste da Argentina.

Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Accipitriformes
Família: †Teratornithidae
Gênero: †Argentavis
Espécie: Argentavis magnificens

© Daniel Boh
Gráfico por Katie Parker
© National Geographic Digital Media

Fontes: Enciclopédia dos dinossauros e da vida pré-histórica (São Paulo: Abril, 2008) e Wikipedia.

17 comentários:

  1. A argentavis com certeza foi um animal incrível!
    Tenho outra sugestão, poderia fazer um sobre o harrier-de-madeira, uma pequena espécie de harrier que viveu no Havaí

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    1. Hmm... talvez mais para frente. A última publicação foi sobre a águia-de-haast, e eu tento fazer as postagens de forma diversificada, então vai demorar um pouco até eu postar novamente sobre uma ave de rapina. Mas agradeço sua sugestão!

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    2. Beleza mano! Estarei no aguardo

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  2. Muito bom cara!
    Tenho uma sugestão, poderia fazer um falando sobre o harrier-de-eyles

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    1. Se encaixa na mesma situação do harrier-da-madeira comentada acima. Valeu!

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    2. Atá, então estarei esperando também

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  3. Mano será que você poderia atualizar o estudo da Argentavis, deixando o texto maior (mais ou menos do tamanho do texto da Águua-de-Haast, se não for pedir muito)

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    1. Posso sim, mas peço que aguarde um pouco, beleza?

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    2. Beleza amigo, esperarei o tempo que for necessário

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  4. Eu fiquei com uma duvida muito grande recentemente. Eu tava lendo sobre o sinornithosaurus em outros sites (que ja percebi estarem desatualizados depois de ver seu site), mas de qq forma diziam que esse dinossauro se alimentava de pequenas presas, como outros dinossauros e aves pequenas. Nisso eu pensei: como existiam aves naquela epoca se elas descendem dos dinossauros?
    Queria saber se essa fala de que aves existiam naquela época é só mais uma fake news da vida ou se existem alguma explicação evolutiva

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    1. Essa é uma dúvida muito comum. Segundo o registro fóssil, as aves surgiram entre os períodos Jurássico e Cretáceo (dependendo da definição de ave), a partir de uma linhagem de dinossauros terópodes emplumados. Isso significa que elas têm mais parentesco com esse grupo específico e que viveram lado a lado com diversas outras espécies de dinossauros até o final do Cretáceo. No sistema de classificação atual, as aves são consideradas dinossauros, o único grupo que sobreviveu quando os demais foram extintos.
      Quero falar mais sobre esse assunto em uma postagem futura, mas espero que tenha solucionado sua dúvida.

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    2. Entendi! Muito obrigado!!! estou apaixonado pelo seu site. Parabéns pelo esforço e trabalho!

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    3. Muitíssimo obrigado! Fico muito feliz! 😍😍

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  5. Felipe, a envergadura da Argentavis foi diminuída para 5,09 a 6,5 m de comprimento. Se eu estiver errado me corrija.

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  6. Eu jogo ark survival e a argentavis e como a da vida real uma grande ave de rapina carnivora e predatoria

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