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19 novembro 2012

Azendohsauro, o lagarto de Azendoh

Azendohsaurus madagaskarensis
Crédito: Matt Celeskey, 2014

Atualizado em janeiro de 2026

    O azendohsauro ("lagarto de Azendoh") é um réptil arcossauromorfo que viveu entre o fim do Triássico Médio (idade Ladiniana) e o início do Triássico Superior (idade Carniana), de 241 a 227 milhões de anos atrás, na África. Era um herbívoro atarracado de porte médio, estimado em 2 a 3 m de comprimento, que se destaca por sua semelhança, em vários aspectos, com os dinossauros herbívoros, em um curioso caso de evolução convergente que indica que tais adaptações a um estilo de vida herbívoro poderiam estar amplamente distribuídas entre os arcossauromorfos do Triássico.
    Diferentemente de outros arcossauromorfos primitivos, o azendohsauro tinha uma cauda bastante curta e membros robustos, arranjados em uma estranha combinação de pernas esparramadas e braços levemente eretos, os quatro membros terminando em dedos curtos com grandes garras curvadas. O corpo era largo, com um tórax em forma de barril e ombros muito mais altos que os quadris. Seu pescoço era alongado, e sua cabeça era proporcionalmente pequena, com olhos grandes, focinho curto e maxilas e dentes notavelmente semelhantes aos dos saurópodes. Tanto é que, quando estas eram suas únicas partes conhecidas, o azendohsauro costumava ser classificado como um dinossauro herbívoro - de início como ornitísquio, porém mais frequentemente como sauropodomorfo. Fósseis mais completos, contudo, revelaram características mais ancestrais aos arcossauromorfos e que o azendohsauro, portanto, era um réptil mais primitivo, que evoluíra alguns traços em comum com os saurópodes mais tardios. Ele foi realocado, então, para um novo grupo de arcossauromorfos especializados chamados alocotossauros (Allokotosauria), como tipificador de sua própria família (Azendohsauridae), que hoje inclui outros alocotossauros, como o Shringasaurus da Índia.
    Para além das semelhanças nos dentes, o azendohsauro chama a atenção por ter desenvolvido um formato corporal parecido com o dos sauropodomorfos, milhões de anos antes destes surgirem. Ambos provavelmente evoluíram de forma convergente para preencher um nicho ecológico similar, como herbívoros de pescoços alongados que se alimentavam de plantas relativamente altas. Análises da estrutura microscópica dos ossos do azendohsauro indicam que ele tinha uma taxa de crescimento acelerada, comparável à das aves e mamíferos, e, portanto, pode ter sido um dos primeiros arcossauromorfos endotérmicos conhecidos - o que sugere que o metabolismo de sangue quente seria uma característica ancestral para os arcossauros, incluindo os dinossauros.
    A espécie Azendohsaurus laaroussii foi descoberta no Marrocos em 1965, por Laaroussi, um técnico do serviço geológico marroquino, e descrita em 1972, por Jean-Michel Dutuit, a partir de fragmentos parciais da mandíbula e alguns dentes. O nome do gênero foi escolhido como referência à aldeia de Azendoh, localizada próxima ao local da descoberta, na cordilheira do Atlas. Uma segunda espécie, Azendohsaurus madagaskarensis, foi descrita em 2010 por John J. Flynn e colegas, a partir de múltiplos espécimes representando quase todo o esqueleto do animal, encontrados em Madagascar.

Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Clado: Sauropsida
Clado: Archosauromorpha
Clado: Crocopoda
Clado: †Allokotosauria
Família: †Azendohsauridae
Gênero: †Azendohsaurus
Espécies: †Azendohsaurus laaroussii e †A. madagaskarensis

Os dentes serrilhados em forma de folha, adaptados para mastigar vegetação macia, e as maxilas curvadas do azendohsauro lembram muito um dinossauro saurópode. Igualmente extraordinários são seus numerosos dentes palatais: embora dentes no céu da boca não sejam incomuns em répteis herbívoros, no azendohsauro eles eram bem desenvolvidos, quase idênticos aos demais dentes nas margens das maxilas.
© S. Nesbit

Fontes: Natural History MuseumTerra, Waxing Paleontological e Wikipedia.

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